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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Leitura na Noruega: Henrik Ibsen

    Hallo!!

    A Noruega produz não só bons autores contemporâneos, mas também é a pátria de um grande escritor de peças teatrais, Henrik Ibsen.




    Ibsen foi o maior dramaturgo norueguês do século XIX, é considerado por muitos como o dramaturgo mais importante depois de Shakespeare.

    Henrik Johan Ibsen nasceu em 1828 em Skien, uma pequena cidade portuária na época, vindo de uma família tradicional. Durante o fim da sua infância, seu pai perdeu boa parte do dinheiro da família, o que os impôs uma vida mais humilde e vários problemas familiares.
    Ele começa a escrever por volta dos 15 anos, mas é depois dos 21 que termina sua primeira peça, Catilina, uma tragédia desenvolvida no estilo “blankvers”, mas a assina sob o pseudônimo de Brynjolf Bjarme.
    Em 1850, Ibsen mudou-se para a capital Christiania (atualmente Oslo), onde pela primeira vez uma peça sua foi encenada, Kjæmpehøjen (Túmulo de Gigantes), que, porém, não recebeu muita atenção.

    Escrevendo sátiras e poesias Ibsen consegue algum prestígio, e em poucos anos é designado como diretor de cena de um pequeno teatro em Bergen, o “Det Norske Theater”. Começa assim a carreira polivalente do dramaturgo no mundo teatral, agindo como autor, diretor e produtor. De Bergen ele volta para Christiania, casa-se, obtem certo reconhecimento no meio, mas leva uma vida difícil e com problemas financeiros. A reviravolta na sua carreira se dá quando em 1864 ele resolve deixar a Noruega e parte primeiro para a Itália e em seguida para Alemanha.

    Ibsen passa ao todo 27 anos no exterior, e é durante esse período que ele escreveu suas mais famosas peças teatrais.
    Com Brand – 1866, um drama cheio de simbolismo sobre um padre que seguia seus princípios elevados, o escritor recebe aclamação da crítica e sucesso financeiro. No ano seguinte ele lança o que viria a ser sua mais renomada peça, Peer Gynt.
    Os anos seguintes são considerados sua Era de Ouro, produzindo inúmeros dramas questionadores e instigantes sobre a sociedade européia, e principalmente a sociedade norueguesa. Levantando discussões e críticas sobre a realidade da época, temas como os papéis conjugais aceitos por homens e mulheres, moralidade e promiscuidade, conservadorismo e liberalismo são abordados em suas obras, que contam com personagem densos e mulheres ativas.
    São de Ibsen as peças Kejser og Galilæer – 1873 (Imperador e Galileu), Et dukkehjem – 1879 (Casa de Bonecas), En folkefiende – 1882 (Um Inimigo do Povo), Vildanden – 1884 (Um Pato Selvagem), Hedda Gabler – 1890, Lille Eyolf – 1984 (O Pequeno Eyolf), entre outras.
    Além de seu lado contestador e provocativo, Ibsen revolucionou a forma do teatro, e não só seu conteúdo, foi ele que inaugurou o teatro realista, passando a ser considerado por muitos como o pai do teatro moderno.

    A volta a Noruega coincide com uma volta de Ibsen à produção de dramas mais introspectivos. Reconhecido mundialmente, e com uma boa situação financeira, o escritor passa poder conviver com o círculo da alta sociedade de seu país.
    O dramaturgo faleceu em 1906, deixando viúva a sua esposa Suzannah Ibsen, e foi sepultado com honras de Estado no cemitério Vår Frelsers.

    No centenário de sua morte, 2006, foi comemorado o “Ano Ibsen”, e Oslo (antiga Christiania) recebeu três legados em homenagem ao escritor.

    O Museu Ibsen está instalado na antiga casa de Ibsen, onde ele passou os seus últimos 11 anos de vida. A casa foi restaurada e conta com duas áreas, em uma é recriada parte da residência do casal, com móveis e decorações originais, resgatados e restaurados. E, em outra parte fica a exposição sobre a vida e obra do autor.
 


    O Peer Gynt Parken é um parque onde se é possível acompanhar cena a cena a história de Peer Gynt através de suas esculturas, feitas por diversos artistas.



     A terceira homenagem é a demarcação da rota que Ibsen fez todos os dias, por um tempo, de sua casa até o Gran Café, ambos no coração da cidade, onde ele comia e lia seus jornais favoritos. As calçadas desse trajeto ganharam inscrições, em letras de aço inoxidável, formando 69 citações do autor. Um belo legado.



     Ha det bra!!

 * Esse texto foi publicado originalmente em 12/05/2013 na Coluna Correspondentes Internacionais do site Sobre Livros.
 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Leitura na Noruega: O que anda em destaque no gênero YA



Hei alle!

Hoje vim mostrar pra vocês alguns dos livros do gênero young adult (jovem adulto) que estão em destaque nas livrarias daqui de Oslo.
 


Com o lançamento do filme Em Chamas, último dia 20, a trilogia de Suzanne Collins voltou a ficar em evidência, e praticamente só se acha o segundo livro com a capa baseada no filme.

Em norueguês os títulos são: Dødslekene; Opp i Flammer; Fugl Føniks.
 
Capas norueguesas da trilogia Jogos Vorazes

Outra série em destaque por aqui é a Dustlands, da autora Moira Young, que por aqui já tem os dois primeiros livros traduzidos para o norueguês: Blodrød Vei; Rebellhjerte.

Capas norueguesas da série Dustlands

Gone é uma série que está sendo relançada em versão paperback. Os livros de Michael Grant parecem ter feito sucesso por aqui. A série conta com seis livros lançados e todos eles já traduzidos. 
Os títulos são: Forsvunnet; Mørke Krefter; Løgner; Pesten; Frykten; Lyset.

Capas norueguesas da série Gone

E, enquanto no Brasil o lançamento da vez do autor Rick Riordan é A Casa de Hades, quarto livro da série ‘Os heróis do Olimpo’, por aqui o livro dele em destaque nesse fim de ano é o Slangens Skygge, terceiro volume de ‘As Crônicas dos Kane’.

Capa norueguesa do primeiro livro da série Os Heróis do Olimpo

Em norueguês a série ‘Os heróis do Olimpo’ (Gudene fra Olympos) só conta ainda com o primeiro volume, chamado por aqui de Den Forsvunne Helten, lançado esse ano. E, a série ‘As Crônicas dos Kane’ (Kanekrøniken) já conta com os livros Den Røde Pyramiden; Ildtronen e o recém lançado Slangens Skygge.

Capas norueguesas da série As Crônicas dos Kane
 
Todas as cinco séries comentadas acima são publicadas também no Brasil, mas descobri duas outras séries de fantasias que são de autoras norueguesas e que tiveram uma boa recepção entre os jovens daqui.


Em Halvgudene (semideuses, em tradução livre) os trigêmeos Dimyne, Briskir e Trigg viviam em Oslo como adolescentes normais até que descobrem que sua mãe é a deusa Maél, e são enviados para o mundo de Tiladnen. Ao chegarem no novo lar os irmãos descobrem que Tiladnen e os deuses estão em perigo, pois um grupo autodenominado Forbundet está determinado a exterminar todos os que não forem humanos, especialmente os deuses. E, em pouco tempo, os trigêmeos se unem a uma organização que se opõe aos planos de Forbundet.
A autora é Mari Moen Holsve, uma jovem de 27 anos, moradora de Oslo, que já escreveu outros dois livros ambientados no mesmo universo. Atualmente Halvgudene é composta atualmente pelos títulos: Halvgudene (semideuses, em tradução livre); Svart Regn (chuva negra, em tradução livre) e Arven etter Maél (o legado de Maél, em tradução livre).

Capas da série Halvgudene

Já Ravneringene (anéis de corvo, em tradução livre) é uma trilogia da autora norueguesa Siri Pettersen. Uma fantasia nórdica que tem temas como a xenofobia, a fé cega e o direito ou a vontade de liderar. 
A sinopse nos informa que ao completar 15 invernos, Hirka descobre ser uma filha de Odin, um rastro escuso de um outro mundo. Ela é desprezada, temida e perseguida. Sem saber ao certo quem ela é, Hirka deve lutar por sua própria vida, que está em risco por ameaçar o segredo que envolve sua origem.

Capas do primeiro livro da série Ravneringene


Vocês podem encontrar mais informações sobre as séries, as autoras, os personagens e os mundos  nos sites, em norueguês: www.halvgudene.com e www.ravneringene.no .


Ha det bra!!

* Parte deste post foi publicada na coluna Correspondentes Internacionais - Noruega, no site Sobre Livros, em 24/11/2013.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Leitura na Noruega: Livrarias - parte II

    Hei hei!!

     Em setembro Oslo ganhou uma nova e grande livraria, a Eldorado.
    A história do espaço Eldorado começou em 1891, quando foi aberta como palco de teatro na região central da cidade. A casa teatral funcionou como tal até 1911, tendo passado por várias administrações e recebi alguns nomes diferentes no decorrer do tempo.
    Durante os próximos 100 anos o espaço abrigou um cinema, e voltou a se chamar Eldorado em 1929, marcando a inauguração da instalação do sistema de som. Eldorado foi o primeiro cinema com sistema de som na Noruega.
     Em 2012 o cinema foi fechado e neste ano a área passou a abrigar uma linda e renovada livraria, que preservou várias áreas do cinema e converteu-as em espaços para apresentações, debates e eventos.




    Com 3200m² de área, a Eldorado se considera a maior livraria do país, e tem colocado boa parte do seu esforço em divulgar e oferecer ao público trabalhos de autores noruegueses.
    Com tanto espaço, a disposição dos livros é primorosa, com boa parte deles tendo a capa à mostra. As várias seções são distribuídas em dois andares, e convida o leitor a descobrir novos títulos e gêneros.




    Mas, mais do que a variedade e o cuidado na apresentação dos livros o que achei mais interessante no novo espaço é a integração com a comunidade. A livraria tem organizado diversos eventos para os mais variados públicos. Já foram realizados desde lançamento de novos livros, a apresentação com explicação dos autores, passando por sessões de autógrafos a entrevista e debates com alguns escritores. A criançada também tem vez, e foram brindadas com leituras e atividades. Além disso filmes continuam a ser exibidos ocasionalmente no espaço.




    A Eldorado apesar de ter mudado para a área literária não deixou de ser um lugar onde a cultura é cultivada e celebrada. 
 

    Ha det bra!!

* Esse texto foi publicado originalmente em 27/10/2013 na Coluna Correspondentes Internacionais do site Sobre Livros.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Leitura na Noruega: Ficção científica - Star Wars e Star Treck


    Hei alle!

    Hoje vim mostrar para vocês a grande variedade de títulos que encontro por aqui de ficção científica (sci-fi).

    Sempre gostei de livros de fantasia e de sci-fi, mas enquanto crescia tive muito mais contato com o primeiro gênero, até descobrir numa biblioteca municipal os livros da série Fundação de Isaac Asimov e devorá-los. Fiquei encantada com a história que é muito mais do que só ficção científica e tem em suas páginas também uma análise da sociedade humana. Recomendadíssimo para quem ainda não leu.
    Desde então fui incorporando histórias sci-fi nas minhas leituras, mas eu não sabia ainda onde conseguir boas indicações e os títulos desse tema que me caíram nas mãos foram poucos.
    Contudo mudanças fazem um bem danado se soubermos aproveitá-las, porque com elas conseguimos encontrar e conhecer coisas, pessoas, estilos, culturas, jeitos e livros diferentes.
     Por aqui a seção de ficção científica nas livrarias apresenta uma quantidade considerável de opções, o que tem me deixado até perdida, afinal o que conhecer primeiro?

Variedade de títulos de ficção científica

     Nas prateleiras encontram-se nomes como Douglas Adams, Neal Asher, Isaac Asimov, Peter F. Hamilton, Iain M. Banks, Arthur C. Clarke, Jack Campbell, Ian Douglas, Frank Herbert, Neal Stephenson, Dan Simmons, entre outros.
    Nessa grande variedade uma das coisas que mais me chamou atenção foi ver os livros baseados nos universos de Star Treck e Star Wars. 

Livros da franquia Star Treck
 
    Inúmeros romances originais, histórias curtas e adaptações dos filmes e séries de Star Treck já foram publicados desde 1967. A franquia já passou pelas editoras Bantam Books (de 1967 a 1981) e Ballantine Books (de 1974 a 1978), e atualmente é lançada pela Pocket Books. Só nos romances são mais de 10 arcos oficiais, entre eles, Original Series; Next Generation; Vanguard e Deep Space Nine.
    As histórias do arco Original Series são sobre as viagens e aventuras da Enterprise e sua tripulação clássica, com Kirk, Spock, McCoy, e outros, ambientada no século XXIII. Já as de Deep Space Nine relatam os tempos seguintes ao fim do período da série clássica.
    O primeiro título original foi o “Mission to Horatius”, escrito por Mack Reynolds e publicado em 1968, pela Whitman Book. Entretanto foi com a Bantam que a série ganhou um foco mais adulto ao lançar em 1970 “Spock Must Die!”, de James Blish.
    Outro fato interessante desses livros é que eles são escritos por vários autores diferentes, alguns prolixos e reconhecidos no mundo sci-fi, por exemplo Peter David e Diane Duane; enquanto outros se aventuraram a escrever sobre Star Treck depois de terem ingressado nesse universo seja atuando, dirigindo ou produzindo.
    Lembro de assistir aos filmes com a minha mãe quando eu era pequena, e saber que posso acompanhar esses personagens e mundos novos através da leitura é algo estimulante.
 

    Assim como Star Treck, Star Wars tem vários romances originais, contos, graphic novels, adaptações, enfim, uma miríade de produtos literários derivados dos filmes de George Lucas. Mas se do primeiro eu encontro variedade, do segundo eu me perco nas opções! Tá legal, não é uma biblioteca inteira, mas são opções suficientes para deixar qualquer aficcionado pelos Jedis sem saber o que comprar. Olha só uma amostra.
 
Livros da franquia Star Wars

    As histórias de Star Wars cobrem uma linha do tempo entre 25 mil anos antes da Batalha de Yavin (a batalha final do Episódio IV: Uma nova esperança) e 140 anos depois da mesma. E estão divididas em sete Eras: Before the Republic (Antes da República, em tradução livre), The Old Republic (A Velha República, em tradução livre), Rise of the Empire (Ascensão do Império, em tradução livre), The Rebellion (A Rebelião, em tradução livre), The New Republic (A Nova República, em tradução livre), The New Jedi Order (A Nova Ordem Jedi, em tradução livre), Legacy of the Force (O Legado da Força, em tradução livre).
    A primeira história original apareceu em 1978 no número 7 do quadrinho Marvel Comics’ Star Wars, e foi logo seguida por um livro, o “Splinter of the Mind’s Eye”, escrito por Alan Dean Foster.
    Uma trilogia referência nesse universo e indicada por vários como um bom ponto de partida para a leitura dos livros de Star Wars é a Thrawn trilogy, escrita por Timothy Zahn, e lançada no início da década de 90.
    Junte isso tudo com uma produção atual de um livro por mês, em média, fora as histórias curtas, graphic novels, guias e livros diversos sobre o tema, dá leitura mais do que suficiente para uma vida inteira!!!
    
    Atualmente possuo dois livros do universo Star Wars disputando minha atenção, Children of the Jedi, de Barbara Hambly, e ambientado em The New Republic Era; e, The Jedi Path – A Manual for Students of the Force, um livro acadêmico para os Jedi Initiate, comentado por vários ilustres alunos, como Yoda, Qui-Gon e Luke. 
 
Meus livros de Star Wars

    Já fiz resenha do "The Jedi Path" aqui para o blog, se quiser dá uma olhadinha aqui.

    Apesar da variedade de títulos, só encontrei livros desses dois universos em inglês, o que não parece ser um impeditivo para os noruegueses comprá-los.

    Interessados em saber mais sobre esses livros? Dá uma olhada nos links abaixo. (Infelizmente todos em inglês, se alguém souber algum site sobre o tema em português compartilha nos comentários, vou adorar ler também.) 


    E aí, motivei algumas leituras?

    Ha det bra!

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Leitura na Noruega: Escritores noruegueses


Hei alle!

Será que algum de vocês já ouviu falar ou leu algo de um escritor norueguês?
A princípio a maioria pode dizer que não, afinal, autor norueguês é uma coisa meio desconhecida por aí, mas aposto que todo mundo reconhece o título “O Mundo de Sofia”. Pois é, esse livro que foi bem famoso no Brasil há alguns anos é de Jostein Gaarder, autor norueguês contemporâneo.

A Noruega tem vários autores reconhecidos pela Escandinávia e até por outras partes do mundo. E hoje venho apresentar três deles para vocês.

  
Jostein Gaarder é considerado um intelectual, tendo cursado línguas escandinavas e teologia na Universidade de Oslo. Ele é autor de vários romances filosóficos, contos e histórias.
No Brasil vários livros dele, além de Sofies Verden (O Mundo de Sofia), foram lançados, como por exemplo, Julemysteriet (Mistério de Natal), Kabalmysteriet (O Dia do Curinga) e Slottet i Pyreneene (O Castelo dos Pirineus).
Sofies Verden foi publicado originalmente em norueguês em 1991, já foi traduzido para mais de 50 línguas e alcançou altos níveis de venda. Sua primeira edição em português saiu em 1995. Esse livro pode ser considerado tanto como um romance quanto como um guia básico de filosofia, onde o leitor, juntamente com Sofie, é convidado a trilhar toda a história da filosofia ocidental.
Particularmente eu nunca li nenhuma obra de Gaarder, mas já tenho a minha cópia d’O Mundo de Sofia na estante esperando a sua vez. Uma grande amiga minha tem esse como o seu autor favorito e recomenda muito o livro O Castelo dos Pirineus, que seria “uma linda história de amor com um final surpreendente”.

Capas das edições norueguesas dos livros de Gaarder
 
Erik Fosnes Hansen é outro autor popular na Noruega. Apesar de ter nascido em Nova York, seus pais eram noruegueses e ele foi criado aqui. Ele estudou arte e literatura e lançou seu primeiro romance Falketårnet com apenas 20 anos, em 1985.
Falketårnet (Torre de falcão, em tradução livre) é descrito como um drama simbólico e intensamente psicológico, desenvolvido no Império Germânico das Cruzadas por volta de 1230 D.C. Esse romance foi bem recebido pelos críticos e leitores como um extraordinário début.
Entre seus outros romances já lançados estão, Salme ved reisens slutt (Cântico para a Última Viagem), Beretninger om beskyttelse (Contos de Proteção, em tradução livre) e Løvekvinnen (A Mulher Leão, em tradução livre). E, O Cântico para a Última Viagem já foi publicado no Brasil.
Erik F. Hansen já até escreveu um livro sobre a Sua Alteza a Princesa Märtha Louise, filha do rei e quarta na linha de sucessão, chamado Underveis (A caminho, em tradução livre). O livro é baseado nas conversas entre Erik e a Princesa e traz uma visão de como é ser uma princesa jovem e moderna na Noruega.

Capas das edições norueguesas dos livros de Hansen

O terceiro autor de hoje se chama Lars Saabye Christensen, escreve desde 1976 e tem muitas obras publicadas, dez coleções de poesias, cinco coleções de histórias curtas e doze romances, além de também escrever peças teatrais.
Saabye Christensen é bem ativo no mundo literário, chegando inclusive a pertencer a Academia Norueguesa de Língua e Literatura.
Entre seus trabalhos mais renomados estão os romances Beatles e Halvbroren (O meio-irmão, em tradução livre).
Beatles foi lançado em 1984 e conseguiu um grande sucesso comercial no país. O livro conta a história de quatro rapazes de Oslo, durante os anos de 1965 a 1972, abrangendo a adolescência e o começo da vida adulta. Todos têm um interesse em comum, são fãs dos Beatles e assumem cada um o nome de um dos integrantes, partilhando até alguma característica com o ídolo escolhido. A narrativa envolve o amadurecimento dos personagens durante a luta política dos anos 60 e como eles viram esquerdistas por influências das pessoas com quem se envolvem.
Já em Halvbroren, publicado em 2001 e lançado também no Brasil, a história é sobre dois irmãos que lutam para se tornarem indivíduos completos. O livro segue a vida da família durante vários anos e diversas etapas de suas vidas, tendo uma narrativa rica e uma base histórica relevante. É descrito ainda como sagaz, enigmático e lindamente escrito.
Por esses dois livros Saabye Christensen ganhou inúmeros prêmios literários. E, o segundo também já foi publicado no Brasil, pela editora Objetiva.

Capas das edições norueguesas dos livros Christensen

Além desses três a Noruega tem outros escritores aclamados e premiados internacionalmente.
Outro fato interessante, é que para incentivar e promover a literatura nórdica, o Conselho Nórdico de Ministros – uma organização que junta a Finlândia, a Islândia, a Suécia, a Noruega e a Dinamarca – atribui um prêmio anual de literatura, o Nordisk Råd Litteraturpris, desde 1962, a um autor proveniente de um destes cinco países. E oito noruegueses já foram agraciados com esse prêmio, inclusive Lars Saabye Christensen.

Espero que tenham gostado de saber um pouquinho mais sobre a produção literária da Noruega. E que a curiosidade de vocês tenha sido ativada.

Ha det bra!

* Todas as imagens foram retiradas da Internet. 
* Esse texto foi publicado originalmente em 17/03/2013 na Coluna Correspondentes Internacionais do site Sobre Livros.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Leitura na Noruega: Livrarias

    Hei alle!

    Aqui em Oslo eu encontro várias livrarias, e como algumas já viraram pontos de passeio para mim, resolvi falar um pouquinho sobre elas hoje.

    Como várias capitais, Oslo é bem servida de livrarias. Encontro desde lojas de grandes cadeias de livrarias norueguesas até livrarias menores, sebos e livrarias atacadistas.
 

    Até certo ponto, as livrarias daqui apresentam uma proposta bem parecida com a nova concepção das livrarias brasileiras, pelo menos nas grandes cidades, e são bem convidativas. As lojas têm um cuidado e toda uma estratégia na exposição de seus livros, organizando e separando seções por interesse ou faixa etária, com poltronas, cadeiras e cantinhos para os clientes poderem degustar um pouco das várias opções oferecidas. E, claro, seções de produtos diversos, mas de algum modo relacionado a esse ambiente, como itens de papelaria, jogos de tabuleiro ou acessórios para livros e leituras.
 

     Mas o que me chamou a atenção aqui foi a variedade de livros, gêneros e tipos. Vejo facilmente livros de romance, literatura fantástica, suspense, ficção científica, receitas, autoajuda, guias de viagens, infantis, infanto-juvenis, lançamentos, clássicos, de decoração, de artes, dicionários, livros de autores noruegueses e internacionais, livros em inglês, e por aí vai.
 

    A quantidade de livros em inglês disponíveis nas livrarias é grande, o que me surpreendeu e instigou. Tanto, que me aventurei a ler meu primeiro livro em inglês completo depois que vim morar aqui, comprado na primeira livraria que entrei poucos dias após ter me mudado para cá. De lá pra cá, um ano já se passou e vários foram os títulos em inglês que li (orgulho de mim mesma!).
    Podemos encontrar também, mesmo que não em todas as livrarias, livros em outras línguas, como em francês, espanhol, dinamarquês e sueco, só não encontrei ainda em português, mas acredito que ainda acho!

 
    E, como boa aficionada por livros, não podia deixar de ter pelo menos um livro em norueguês. Minha primeira aquisição na língua norueguesa foi um clássico da minha infância, Tornerose, ou Bela Adormecida.

 
    Gostei bastante da organização das livrarias, é fácil percorrer as seções e se achar e, caso você não ache algo ou esteja com pressa e não possa percorrer as longas fileiras de livros, os atendentes estão sempre dispostos a ajudar e até a indicar outros livros. Outro ponto a favor das lojas daqui é que cada gênero literário tem uma variedade enorme de livros. É fácil encontrar vários títulos de um mesmo autor, ou série, e impressões de tipos diferentes.

    No Brasil eu quase não via um livro com duas versões de impressão lançadas mais ou menos no mesmo tempo, mas pela Europa, e acredito que nos EUA também, vários títulos têm duas versões a venda, a versão paperback e a hardback (ou hardcover). A versão paperback é uma impressão mais barata, e rápida, normalmente a folha não é tão branquinha e a diagramação é básica, a capa é sempre mais mole, de uma espessura mais grossa que as folhas internas, mas sem chegar a ser um papelão. Essa versão normalmente vem em tamanhos mais compactos e o alvo é justamente ser uma versão para consumo rápido e barato. Já a versão hardback tem uma qualidade maior de diagramação e material. As capas normalmente são duras, as folhas mais finas e clarinhas, o tamanho do livro é um pouco maior do que na outra versão, e o preço também.

 
    Algumas pessoas não gostam da versão paperback, por ser mais básica mesmo, mas eu tenho apostado nela para poder ter mais variedade de títulos. Porém, para colecionar e decorar a estante, as versões tipo hardback são melhores mesmo.
    Aos poucos vou mostrar para vocês um pouco do amor e da relação dos noruegueses com os livros e a literatura, nesse mundo novo que eu também estou descobrindo.

    Ha det bra!

 *Esse texto foi publicado originalmente em 18/11/2012 na Coluna Correspondentes Internacionais do site Sobre Livros.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Leitura na Noruega: Deichmanske Bibliotek

    Hei alle!

    Como boa aficionada por livros gosto muito de bibliotecas, e de vez em quando faço uma visita a biblioteca municipal de Oslo, a Deichmanske Bibliotek, que é a maior e mais antiga biblioteca pública da Noruega.

    A biblioteca foi aberta em 1785 como o resultado da doação, através de testamento, da coleção de livros do Chancellor Carl Deichman. Sua coleção inicial era de aproximadamente 6000 exemplares e continha, também, livros de literatura em alemão, francês e latim.
    Desde sua inauguração a Deichmanske já passou por várias alterações na forma de funcionamento e na localização de seu acervo, mas ela sempre fez empréstimos gratuitos para a população.
    Atualmente, a Deichmanske Bibliotek tem 16 filiais espalhadas por diversos bairros da cidade e um prédio central que fica nas imediações do centro de Oslo.




    É esse prédio central que fui conhecer primeiro… e fiquei maravilhada! Além de uma infinidade de livros, que por si só já nos deixam, fãs de leitura, boquiabertos, a Deichmanske tem uma estrutura muito legal.
    Lá encontrei várias mesas, cadeiras, poltronas e cantinhos, agrupados e espalhados, nos convidando para sentar e apreciar uma leitura por ali mesmo.
    Essa biblioteca não é um refúgio só para leitores, mas muitos jovens e crianças encontram nela um espaço para estudar; algumas filiais mantêm grupos de estudo orientados durante a tarde, como reforço ou tempo dedicado aos exercícios de casa.


    A leitura na Deichmanske é apreciada não só através de livros, o acervo da biblioteca possui inúmeros jornais nacionais e mundiais, e revistas de vários temas diferentes. Esses itens não estão disponíveis para empréstimos, mas são acessíveis a todos, dentro da biblioteca. No prédio também são disponibilizados computadores com acesso à internet.
    Dentre as várias seções da biblioteca, duas me chamaram mais a atenção: a de livros em línguas estrangeiras e a infanto-juvenil.
    A Deichmanske possui livros em aproximadamente 40 idiomas! No prédio matriz eu vi livros em tantas línguas, algumas mais familiares, como espanhol, inglês, italiano e o nosso querido português, mas também vi outros em idiomas que não são tão próximos de nós, passando por alemão, polonês, chinês e vietnamita. Um mundo numa sala!

    A outra seção que me encantou, a infanto-juvenil, é um sonho, que quem sabe um dia eu veja realizado em nossas bibliotecas brasileiras.
    Os jovens têm uma seção separada e espaçosa só para eles, apesar de os adultos não serem proibidos de entrar, com espaço para brincar, ler, navegar na internet, fazer roda para ouvir alguém contar uma história, e até mesmo para jogar videogame. É isso mesmo, algumas filiais têm videogame disponível para a criançada se divertir, e de vez em quando rola até campeonato.


    O acervo para empréstimos conta, também, com uma seleção considerável de audio-books e de DVDs de filmes variados.
    A pesquisa das obras do acervo pode ser feita num dos terminais do prédio ou pelo catálogo online no site da biblioteca. E, para retirar a sua escolha, é só passar num dos pontos de autoatendimento: basta selecionar a opção de empréstimo (låne), passar a carteirinha de associado no leitor de cartão, digitar senha, aproximar o item da parte de cima da mesa (área cinza – ver foto abaixo) e pronto, o computador identifica o item e fornece o comprovante com a data de retirada e o prazo de devolução. Simples e incrível! 


    Bem, já falei de várias coisas legais e de que gostei, mas o sentimento com que fiquei nas minhas, ainda poucas, visitas a essa biblioteca é de que, acima de tudo, nela se valoriza, estimula e acolhe a leitura e a cultura, a convivência entre gerações, além de estilos e línguas distintas. Me senti num gostoso refúgio.

    Ha det!

*Esse texto foi publicado originalmente em 16/12/2012 na Coluna Correspondentes Internacionais do site Sobre Livros.